domingo, 5 de abril de 2009

CURSO DE DISLEXIA PARA PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO




PROPOSTA DE PALESTRA OU CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA


I – Dados do docente e condições de participação


Docente: Vicente Martins, 47 anos, natural de Iguatu(CE) Perfil acadêmico do docente: professor com 26 de experiência de magistério, sendo 15 dedicados à educação superior, em especial à pós-graduação de Letras e Psicopedagogia. Mestre em educação pela Universidade Federal do Ceará(UFC) e graduado e pós-graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará(UECE). Professor dos cursos de Letras(graduação e pós-graduação) em Letras e Psicopedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. Dedica-se, entusiasticamente, ao estudo e pesquisa sobre as dificuldades de aprendizagem em leitura (dislexia), escrita(disgrafia) e ortografia(disortografia).


Atualmente, Vicente Martins integra o Grupo de Trabalho(GT) – Transtornos Funcionais Específicos do Ministério da Educação (MEC/SEESP/SEB) que trata de elaboração de documento com estudos e diretrizes para os sistemas de ensino lideram com crianças com dislexia, disgrafia, disortografia e déficit de atenção. Curso proposto (detalhamento a seguir): Capacitação em Dislexia:como lidar com as crianças disléxicas em sala de aula Carga Horária: 03 horas/aula. Público-alvo: Professores(as) da rede pública de ensino do Acre e profissionais que fazem atendimento educacional especializado nas escolas. Condições do Curso a ser assegurada aos participantes: pasta com caneta e material didático (textos indicados pelo professor Vicente Martins para leitura prévia e no decorrer do curso), quadro branco, pincel, retroprojetor, datashow (prescindível), alimentação e hospedagem.úmero total de participantes:35 a 40 profissionais da área educacional II – Detalhamento do Curso
PROPOSTA DE CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA: como lidar com as crianças
disléxicas em sala de aula


Prof. MS Vicente Martins © 2008 Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), Sobral(CE). E-mail: vicente.martins@uol.com.br1. EmentaEstudo da dislexia e outras disfunções correlatas(disgrafia, disortografia), com ênfase em conceitos e características, atividades pedagógicas, registros de informações, avaliação da aprendizagem e promoção de educandos com necessidades educacionais especiais. 2. Natureza do cursoA leitura está tão presente m nossas vidas que acaba por nos parecer uma atividade “natural”, como a visão ou a audição. Basta pensar no que ocorre quando aparece ante nossos olhos uma palavra escrita, uma vez vista é impossível não lê-la, como quando vemos um objeto ou ouvimos um som não podemos nos negar a percebê-los. Lemos, pois, com a mesma espontaneidade e gratuidade com a que reconhecemos um objeto, um rosto ou uma melodia. Talvez por isso nos rebelamos ante a evidência de uma parte importante de nossos alunos escolarizados mostrarem graves insuficiências e dificuldades no seu domínio. Parece como se esperássemos que esta facilidade com a que trabalhamos na leitura, lhe correspondesse outra semelhante para alcançar seu domínio. Nada mais longe, no entanto, da realidade. A leitura precisa de um longo e, em certa medida, competente e laborioso processo de aprendizagem, no que devemos adquirir e automatizar um amplo número de habilidades que tem de operar de uma forma ordenada. Por tudo isso, ao fracassar na leitura, truncamos um amplo conjunto de possibilidade expressivas e receptivas que são decisivas para adquirir tudo quanto nossa cultura reclama a seus membros.


O presente curso de dislexia tem por fim a capacitação de profissionais na área de educação escolar, especialmente os que atuam na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio). As aulas, sempre dialogadas, proporcionam uma teoria da prática escolar e uma prática das teorias pedagógicas, lingüísticas, psicoepedagógicas e psicolingüísticas voltadas ao ensino-aprendizagem da leitura, escrita e ortografia.

3. Objetivos


Levar os profissionais que atuam na educação escolar e demais especialistas (supervisores, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e Psicólogos) aos seguintes objetivos: • conhecer a importância dos distintos pré-requisitos • Valorizar e necessários parta uma correta aprendizagem da leitura • Estudar e analisar as investigações sobre leitura e os modelos explicativos mais principais relevantes • Proporcionar conhecimentos básicos sobre os processos psicológicos envolvidos na leitura • Conhecer as dificuldades mais comuns que aula: atraso leitor e dislexias. • Conhecer os métodos de leitura: vantagens e desvantagens dos métodos de leitura para crianças com dificuldades de aprendizagem em leitura, escrita e ortografia. • Elaborar estratégias de intervenção aprendizagem e reabilitação das dificuldades leitoras didática na educação básica.

4. Programação de aula e conteúdos a serem ministrados


Tema 1.- A natureza da leitura e da dislexia

1.1. Leitura e as raízes histórias da dislexia

1.2. A leitura como processo decomponível.

1.3. A arquitetura funcional do processo da leitura


Tema 2. – Dificuldades na aprendizagem da leitura•

2.1. Evolução histórica dos estudos sobre as dificuldades de aprendizagem da leitura •

2.2. Maturidade para a leitura. Pré-requisitos para a aprendizagem da leitura como processo de decodificação • - Desenvolvimento da consciência fonológica • - Fatores lingüísticos • - Fatores cognitivos •

2.3. Processos psicológicos envolvidos na leitura • - Processos perceptivo-visuais • - Proceso de acesso ao significado • - processo sintático e semântico

Tema 3. – ALTERAÇÕES NA APRENDIZAGEM DA LEITURA

3.1. Atraso leitor versus dislexia3.2. Tipos de dislexia- Dislexia evolutiva - Dislexia profunda 3.3. Conceito, tipologia, avaliação e intervenção

Tema 4 - PROVAS PADRONIZADAS PARA A AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO EM LEITURA

4.1. O MEC e seus instrumentos de aferição da acurácia leitora: SAEB e Prova Brasil4.1. Estudo de casos de crianças em risco de dislexia4.2.Teste de compreensão leitora4.3. Programa de treinamento em leitura


Tema 5 - ROTEIRO DE SONDAGEM DE CRIANÇAS COM RISCO DE DISLEXIA


5.1. O que e como observar em crianças com risco de dislexia na educação infantil. 5.2. O que e como observar em crianças com risco de dislexia no ensino fundamental. 5.3. O que e como observar em crianças com risco de dislexia no ensino médio 5.Metodologia5.1. Exposição dos temas teóricos básicos (servindo-se de visuais, power-point, vídeos) estabelecendo uma relação e comunicação com os alunos, que estimule seu interesse pelo conhecimento, em uma clima de participação e intercâmbio de idéias e opiniões. • Reflexão pessoal e participação, nas atividades de sala de aula, são fundamentais no desenvolvimento do curso. Elaboração conjunta com os alunos do vocabulário específico na área de dislexiologia • Entrega de pequenos relatórios sobre casos de dislexia em sala de aula. • Análise de casos reais de dislexia e comentários críticos aos casos propostos em sala de casos para diagnóstico e intervenção educacional. 6. Critérios de avaliação e qualificaçãoRealizar-se-á através de: • Perguntas orais na sala de aula e entrega de trabalhos práticos relacionados com o programa do curso • Participação na condução da sala de aula com perguntas sobre dúvidas e comunicação sobre experiências do tema tratado. • Exposição de casos, leituras, em sala de aula, nos que mostram sua capacidade de organização, síntese, uso correto do vocabulário específico, fundamentação teórica e prática e expressão oral • Respeito aos demais alunos e professor manifestado por sua conduta de atenção e interesse durante as aulas


7. Bibliografia

1. ALLIEND, G. Felipe, CONDEMARÍN, Mabel. Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Tradução de José Cláudio de Almeida Abreu. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. 2. .CARDOSO-MARTINS, Cláudia (org.). Consciência fonológica e alfabetização.Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. 3. CATANIA, A. Charles. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. 4ª ed. Tradução de Deisy das Graças de Souza. Porto Alegre: Artmed, 1999. 4. CHAPMAN, Robin S. Processos e distúrbios na aquisição da linguagem. Tradução de Emilia de Oliveira Diehl e Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996. 5. COLL, César, MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesús. Desenvolvimento psicológico e educação: volune 3, transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. 2 ed. Tradução Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004. 6. COLOMER, Teresa, CAMPS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. 7. CONDEMARÍN, Mabel e MEDINA, Alejandra. A avaliação autêntica: um meio para melhorar as competências em linguagem e comunicação. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2005 8. CONDEMARÍN, Mabel, BLOMQUIST, Marlys. Dislexia: manual de leitura corretiva. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artmed, 1989. 9. CONDEMARÍN, Mabel.Leitura corretiva e remedial. Tradução de Jonas Pereira dos Santos. Campinas, SP: Psy II, 1994. 10. CORRÊA, Letícia Maria Sicuro(org.). Aquisição da linguagem e problemas do desenvolvimento lingüístico. São Paulo: Loyola, 2006. 11. DAVIS, Ronald Dell, BRAUN, Eldon M. O dom da dislexia: por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender. Tradução de Ana Lima e Garcia Badaró Massad. 12. EHRLICH, Stéphane. Aprendizagem e memória humanas. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. 13. ELLIS, Andrew W. Leitura, escrita e dislexia: uma análise cognitiva. 2ª ed. Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artmed, 1995. 14. EYSENCK, Michael W., KEANE, Mark T. Manual de psicologia cognitiva. 5ª ed. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2007. 15. FLAVELL, John H., MILLER, Patricia H. e MILLER, Scott A. Desenvolvimento cognitivo. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1999. 16. FONSECA, Vítor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed. rev. aum. Porto Alegre: Artmed, 1995. 17. GARCIA, Jesus Nicacio. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006. 18. GERBER, Adele. Problemas de aprendziagem relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996. 19. GRÉGOIRE, Jacques e col. Avaliando as aprendizagens: os aportes da psicologia cognitiva. Tradução de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000. 20. GRÉGOIRE, Jacques, PIÉRART, Bernadette. Avaliação dos problemas de leitura: os novos modelos teóricos e suas implicações diagnósticas. Tradução de Marian Regina Borges Osório. Porto Alegre: Artmed, 1997. 21. GUIMARÃES, Sandra Regina Kirchner. Aprendizagem da leitura e da escrita: o papel das habilidades metalingüísticas. São Paulo: Vetor, 2005. 22. HOUT, Anne Van, ESTIENNE, Françoise. Dislexias: descrição, avaliação, explicação, tratamento. 2ª ed. Tradução de Cláudia Shilling. Porto Alegre: Artmed, 2001. 23. JAMET, Éric. Leitura e aproveitamento escolar. Tradução de Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 2000. 24. JOLIBERT, Josette e col. Formando crianças leitoras, vol.1. Tradulção de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 1994. 25. KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1990. 26. KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.(Coleção Texto e Linguagem). 27. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas, SP: Pontes, 2001. 28. KLEIMAN, Ângela.Leitura:ensino e pesquisa. 2ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2004. 29. KOCH, Ingedore Villaça, ELIAS, Vanda Marai. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. 30. LAMPRECHT, Regina Ritter et ali. Aquisição fonológica do português: perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: Artmed, 2004. 31. LECOURS, André Roch, PARENTE, Maria Alice de Mattos Pimenta. Dislexia: implicações do sistema de escrita do português. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 32. LIBERATO, Yara, FULGÊNCIO, Lúcia. É possível facilitar a leitura: um guia para escrever claro. São Paulo: Contexto, 2007. 33. MARTINS, Vicente. A dislexia em sala de aula. In: PINTO, Maria Alice (org.). Psicopedagogia: diversas faces, múltiplos olhares. São Paulo: Olho d’Água, 2003. 34. MATA, Francisco Salvador. Como prevenir as dificuldades de expressão escrita. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2003. 35. McGUINNESS, Diane. O ensino da leitura. Tradução de Luzia Araújo. Porto Alegre: Artmed, 2006. 36. MCSHANE, John, DOCKRELL, Julie. Crianças com dificuldades de aprendizagem: uma abordagem cognitiva. Tradução de Andrea Negreda. Porto Alegre: Artmed, 2000. 37. MORAIS, Artur Gomes de (org.). O aprendizado da ortografia. 3ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. (Linguagem e educação, 4). 38. MORAIS, José. A arte de ler. São Paulo: Unesp, 1996. 39. MUSSALIM, Fernanda, BENTES, Anna Christina. (orgs.). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras,v.1. São Paulo: Cortez, 2001. 40. NUNES, Teresinha, BUARQUE, Lair e BRYANT, Peter. Dificuldades na aprendizagem da leitura: teoria e prática. São Paulo: Cortez, 1992.[Polêmicas do nosso tempo, 47] 41. PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artmed, 1992. 42. PENNINGTON, Bruce F. Diagnósticos de distúrbios de aprendizagem. São Paulo: Pioneira, 1997. 43. PUYUELO, Miguel e RONDAL, Jean-Adolphe. Manual de desenvolvimento e alterações da linguagem na criança e no adulto. Tradução de Antônio Feltrin. Porto Alegre: Artmed, 2007. 44. ROTTA, NewraTellechea, OHLWEILER, Lygia e RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. 45. SCHOLZE, Lia, RÖSING, Tania M. K. (Orgs.).Teorias e práticas de letramento. Brasília: INEP, 2007. 46. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Guia prático de alfabetização. São Paulo: Contexto, 2003. 47. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Introdução à psicolingüística. São Paulo: Ática, 1991. 48. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Princípios do sistema alfabético do português do Brasil. São Paulo: Contexto, 2003. 49. SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia: um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Tradução de Vinicius Figueira. Porto Alegre: Artmed, 2006. 50. SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler. 4ª ed. Tradução de Daise Batista. Porto Alegre: Artmed, 2003. 51. SMITH, Frank. Leitura significativa. Tradução de Beatriz Affonso Neves. Porto Alegre: Artmed, 1999. 52. SNOWLING, Margaret e STACKHOUSE, Joy. (orgs.) Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes.Porto Alegre: Artmed, 2004. 53. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6ª ed. Tradução de Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artmed, 1998. 54. TERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. 4ª Ed. Tradução de Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2008. 55. STERNBERG, Robert J., GRIGORENKO, Elena L. Crianças rotuladas: o que é necessário saber sobre as dificuldades de aprendizagem. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2003. 56. TACKHOUSE, Joy. (orgs.) Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes.Porto Alegre: Artmed, 2004. pp.183-202. 57. ZORZI, Jaime Luiz. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Maiores informações: 088-9911-0892/088-3614-5428. E-mail: vicente.martins@uol.com.br

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

DISLEXIA COMO TRANSTORNO?





F80-F89 Transtornos do desenvolvimento psicológico
Os transtornos classificados em
F80-F89 têm em comum: a) início situado obrigatoriamente na primeira ou segunda infância; b) comprometimento ou retardo do desenvolvimento de funções estreitamente ligadas à maturação biológica do sistema nervoso central; e c) evolução contínua sem remissões nem recaídas. Na maioria dos casos, as funções atingidas compreendem a linguagem, as habilidades espaço-visuais e a coordenação motora. Habitualmente o retardo ou a deficiência já estava presente mesmo antes de poder ser posta em evidência com certeza, diminuirá progressivamente com a idade; déficits mais leves podem, contudo, persistir na idade adulta.
Este agrupamento contém as seguintes categorias:
F80 Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem
F81 Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares
F82 Transtorno específico do desenvolvimento motor
F83 Transtornos específicos misto do desenvolvimento
F84 Transtornos globais do desenvolvimento
F88 Outros transtornos do desenvolvimento psicológico
F89 Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificadoF80-F89 Transtornos do desenvolvimento psicológico
F80 Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem
F81 Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares
F82 Transtorno específico do desenvolvimento motor
F83 Transtornos específicos misto do desenvolvimento
F84 Transtornos globais do desenvolvimento
F88 Outros transtornos do desenvolvimento psicológico
F89 Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado

Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem
Transtornos nos quais as modalidades normais de aquisição da linguagem estão comprometidos desde os primeiros estádios do desenvolvimento. Não são diretamente atribuíveis a anomalias neurológicas, anomalias anatômicas do aparelho fonador, comprometimentos sensoriais, retardo mental ou a fatores ambientais. Os transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem se acompanham com freqüência de problemas associados, tais como dificuldades da leitura e da soletração, perturbação das relações interpessoais, transtornos emocionais e transtornos comportamentais.
F80.0 Transtorno específico da articulação da fala
Transtorno específico do desenvolvimento na qual a utilização dos fonemas pela criança é inferior ao nível correspondente à sua idade mental, mas no qual o nível de aptidão lingüística é normal.
Dislalia
Lalação
Transtorno (do):
· desenvolvimento (da):
· articulação (da fala)
· fonológico
· funcional de articulação
Exclui:
comprometimento da articulação (da fala) (associada) (devida a) (um) (uma):
· afasia SOE (
R47.0)
· apraxia (
R48.2)
· perda de audição (
H90-H91)
· retardo mental (
F70-F79)
· transtorno do desenvolvimento da linguagem:
· expressivo (
F80.1)
· receptivo (
F80.2)
F80.1 Transtorno expressivo de linguagem
Transtorno específico do desenvolvimento no qual as capacidades da criança de utilizar a linguagem oral são nitidamente inferiores ao nível correspondente à sua idade mental, mas no qual a compreensão da linguagem se situa nos limites normais. O transtorno pode se acompanhar de uma perturbação da articulação.
Disfasia ou afasia de desenvolvimento do tipo expressivo
Exclui:
afasia adquirida com epilepsia [Landau-Kleffner] (
F80.3)
disfasia ou afasia (de):
· SOE (
R47.0)
· desenvolvimento do tipo receptivo (
F80.2)
mutismo eletivo (
F94.0)
retardo mental (
F70-F79)
transtorno global do desenvolvimento (
F84.-)
F80.2 Transtorno receptivo da linguagem
Transtorno específico do desenvolvimento no qual a capacidade de compreensão da linguagem pela criança está abaixo do nível correspondente à sua idade mental. Em quase todos os casos, a linguagem expressiva estará também marcadamente prejudicada e são comuns anormalidades na articulação.
Agnosia auditiva congênita
Surdez verbal
Transtorno de desenvolvimento (do tipo):
· afasia de Wernicke
· afasia ou disfasia de compreensão (receptiva)
Exclui:
afasia adquirida com epilepsia [Landau-Kleffner] (
F80.3)
autismo (
F84.0-F84.1)
disfasia e afasia SOE (
R47.0)
mutismo eletivo (
F94.0)
retardo (de):
· aquisição de linguagem devido à surdez (
H90-H91)
· mental (
F70-F79)
F80.3 Afasia adquirida com epilepsia [síndrome de Landau-Kleffner]
Transtorno no qual a criança, tendo feito anteriormente progresso normal no desenvolvimento da linguagem, perde tanto a habilidade de linguagem receptiva quanto expressiva, mas mantém uma inteligência normal; a ocorrência do transtorno é acompanhada de anormalidades paroxísticas no EEG, e na maioria dos casos há também convulsões epilépticas. Usualmente o início se dá entre os três e os sete anos, sendo que as habilidades são perdidas no espaço de dias ou de semanas. A associação temporal entre o início das convulsões e a perda de linguagem é variável com uma precedendo a outra (ou inversamente) por alguns meses a dois anos. Tem sido sugerido como possível causa deste transtorno um processo inflamatório encefalítico. Cerca de dois terços dos pacientes permanecem com um déficit mais ou menos grave da linguagem receptiva.
Exclui:
afasia (devida a):
· SOE (
R47.0)
· autismo (
F84.0-F84.1)
· transtornos desintegrativos da infância (
F84.2-F84.3)
F80.8 Outros transtornos de desenvolvimento da fala ou da linguagem
Balbucio
F80.9 Transtorno não especificado do desenvolvimento da fala ou da linguagem
Transtorno de linguagem SOE

F81 Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares
Transtornos nos quais as modalidades habituais de aprendizado estão alteradas desde as primeiras etapas do desenvolvimento. O comprometimento não é somente a conseqüência da falta de oportunidade de aprendizagem ou de um retardo mental, e ele não é devido a um traumatismo ou doença cerebrais.
F81.0 Transtorno específico de leitura
A característica essencial é um comprometimento específico e significativo do desenvolvimento das habilidades da leitura, não atribuível exclusivamente à idade mental, a transtornos de acuidade visual ou escolarização inadequada. A capacidade de compreensão da leitura, o reconhecimento das palavras, a leitura oral, e o desempenho de tarefas que necessitam da leitura podem estar todas comprometidas. O transtorno específico da leitura se acompanha freqüentemente de dificuldades de soletração, persistindo comumente na adolescência, mesmo quando a criança haja feito alguns progressos na leitura. As crianças que apresentam um transtorno específico da leitura tem freqüentemente antecedentes de transtornos da fala ou de linguagem. O transtorno se acompanha comumente de transtorno emocional e de transtorno do comportamento durante a escolarização.
Dislexia de desenvolvimento
Leitura especular
Retardo específico da leitura
Exclui:
alexia SOE (
R48.0)
dificuldades de leitura secundárias a transtornos emocionais (
F93.-)
dislexia SOE (
R48.0)
F81.1 Transtorno específico da soletração
A característica essencial é uma alteração específica e significativa do desenvolvimento da habilidade para soletrar, na ausência de antecedentes de um transtorno específico de leitura, e não atribuível à baixa idade mental, transtornos de acuidade visual ou escolarização inadequada. A capacidade de soletrar oralmente e a capacidade de escrever corretamente as palavras estão ambas afetadas.
Retardo específico da soletração (sem transtorno da leitura)
Exclui:
agrafia SOE (
R48.8)
dificuldades de soletração:
· associadas a transtorno da leitura (
F81.0)
· devidas a ensino inadequado (
Z55.8)
F81.2 Transtorno específico da habilidade em aritmética
Transtorno que implica uma alteração específica da habilidade em aritmética, não atribuível exclusivamente a um retardo mental global ou à escolarização inadequada. O déficit concerne ao domínio de habilidades computacionais básicas de adição, subtração, multiplicação e divisão mais do que as habilidades matemáticas abstratas envolvidas na álgebra, trigonometria, geometria ou cálculo.
Acalculia de desenvolvimento
Discalculia
Síndrome de Gerstmann de desenvolvimento
Transtorno de desenvolvimento do tipo acalculia
Exclui:
acalculia SOE (
R48.8)
dificuldades aritméticas:
· associadas a um transtorno da leitura ou da soletração (
F81.3)
· devidas a ensino inadequado (
Z55.8)
F81.3 Transtorno misto de habilidades escolares
Categoria residual mal definida de transtornos nos quais existe tanto uma alteração significativa do cálculo quanto da leitura ou da ortografia, não atribuíveis exclusivamente a retardo mental global ou à escolarização inadequada. Deve ser utilizada para transtornos que satisfazem aos critérios tanto de
F81.2 quanto aos de F81.0 ou F81.1.
Exclui:
transtorno específico (de) (das):
· leitura (
F81.0)
· habilidades aritméticas (
F81.2)
· soletração (
F81.1)
F81.8 Outros transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares
Transtorno de desenvolvimento da expressão escrita
F81.9 Transtorno não especificado do desenvolvimento das habilidades escolares
Incapacidade (de):
· aprendizagem SOE
· aquisição de conhecimentos SOE
Transtorno de aprendizagem SOE

Transtorno específico do desenvolvimento motor
F82 Transtorno específico do desenvolvimento motor
A característica essencial é um comprometimento grave do desenvolvimento da coordenação motora, não atribuível exclusivamente a um retardo mental global ou a uma afecção neurológica específica, congênita ou adquirida. Na maioria dos casos, um exame clínico detalhado permite sempre evidenciar sinais que evidenciam imaturidade acentuada do desenvolvimento neurológico, por exemplo movimentos coreiformes dos membros, sincinesias e outros sinais motores associados; assim como perturbações da coordenação motora fina e grosseira.
Debilidade motora da criança
Síndrome da “criança desajeitada”
Transtorno (da) (do):
· aquisição da coordenação
· desenvolvimento do tipo dispraxia
Exclui:
anomalias da marcha e da mobilidade (
R26.-)
falta de coordenação (
R27.-)
· secundária a retardo mental (
F70-F79)

F83 Transtornos específicos misto do desenvolvimento
F83 Transtornos específicos misto do desenvolvimento
Categoria residual de transtornos nos quais existem ao mesmo tempo sinais de um transtorno específico do desenvolvimento da fala e da linguagem, das habilidades escolares, e das funções motoras, mas sem que nenhum destes elementos predomine suficientemente para constituir o diagnóstico principal. Esta categoria mista deve estar reservada aos casos onde existe uma superposição importante dos transtornos específicos do desenvolvimento citados anteriormente. Os transtornos mistos se acompanham habitualmente, mas sem sempre, de um certo grau de alteração das funções cognitivas. Esta categoria deve assim ser utilizada para transtornos que satisfazem aos critérios de ao menos duas das categorias
F80.-, F81.- e F82.

F84 Transtornos globais do desenvolvimento
Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Estas anomalias qualitativas constituem uma característica global do funcionamento do sujeito, em todas as ocasiões.
Usar código adicional, se necessário, para identificar uma afecção médica associada e o retardo mental.
F84.0 Autismo infantil
Transtorno global do desenvolvimento caracterizado por a) um desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos, e b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno se acompanha comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (auto-agressividade).
Autismo
î
infantil
Psicose
ì

Síndrome de Kanner
Transtorno autístico
Exclui:
psicopatia autista (
F84.5)
F84.1 Autismo atípico
Transtorno global do desenvolvimento, ocorrendo após a idade de três anos ou que não responde a todos os três grupos de critérios diagnósticos do autismo infantil. Esta categoria deve ser utilizada para classificar um desenvolvimento anormal ou alterado, aparecendo após a idade de três anos, e não apresentando manifestações patológicas suficientes em um ou dois dos três domínios psicopatológicos (interações sociais recíprocas, comunicação, comportamentos limitados, estereotipados ou repetitivos) implicados no autismo infantil; existem sempre anomalias características em um ou em vários destes domínios. O autismo atípico ocorre habitualmente em crianças que apresentam um retardo mental profundo ou um transtorno específico grave do desenvolvimento de linguagem do tipo receptivo.
Psicose infantil atípica
Retardo mental com características autísticas
Usar código adicional (
F70-F79), se necessário, para identificar o retardo mental.
F84.2 Síndrome de Rett
Transtorno descrito até o momento unicamente em meninas, caracterizado por um desenvolvimento inicial aparentemente normal, seguido de uma perda parcial ou completa de linguagem, da marcha e do uso das mãos, associado a um retardo do desenvolvimento craniano e ocorrendo habitualmente entre 7 e 24 meses. A perda dos movimentos propositais das mãos, a torsão estereotipada das mãos e a hiperventilação são características deste transtorno. O desenvolvimento social e o desenvolvimento lúdico estão detidos enquanto o interesse social continua em geral conservado. A partir da idade de quatro anos manifesta-se uma ataxia do tronco e uma apraxia, seguidas freqüentemente por movimentos coreoatetósicos. O transtorno leva quase sempre a um retardo mental grave.
F84.3 Outro transtorno desintegrativo da infância
Transtorno global do desenvolvimento caracterizado pela presença de um período de desenvolvimento completamente normal antes da ocorrência do transtorno, sendo que este período é seguido de uma perda manifesta dos habilidades anteriormente adquiridas em vários domínios do desenvolvimento no período de alguns meses. Estas manifestações se acompanham tipicamente de uma perda global do interesse com relação ao ambiente, condutas motoras estereotipadas, repetitivas e maneirismos e de uma alteração do tipo autístico da interação social e da comunicação. Em alguns casos, a ocorrência do transtorno pode ser relacionada com uma encefalopatia; o diagnóstico, contudo, deve tomar por base as evidências de anomalias do comportamento.
Demência infantil
Psicose:
· desintegrativa
· simbiótica
Síndrome de Heller
Usar código adicional, se necessário, para identificar a afecção neurológica associada.
Exclui:
síndrome de Rett (
F84.2)
F84.4 Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados
Transtorno mal definido cuja validade nosológica permanece incerta. Esta categoria se relaciona a crianças com retardo mental grave (QI abaixo de 34) associado à hiperatividade importante, grande perturbação da atenção e comportamentos estereotipados. Os medicamentos estimulantes são habitualmente ineficazes (diferentemente daquelas com QI dentro dos limites normais) e podem provocar uma reação disfórica grave (acompanhada por vezes de um retardo psicomotor). Na adolescência, a hiperatividade dá lugar em geral a uma hipoatividade (o que não é habitualmente o caso de crianças hipercinéticas de inteligência normal). Esta síndrome se acompanha, além disto, com freqüência, de diversos retardos do desenvolvimento, específicos ou globais. Não se sabe em que medida a síndrome comportamental é a conseqüência do retardo mental ou de uma lesão cerebral orgânica.
F84.5 Síndrome de Asperger
Transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem freqüentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta.
Psicopatia autística
Transtorno esquizóide da infância
F84.8 Outros transtornos globais do desenvolvimento
F84.9 Transtornos globais não especificados do desenvolvimento

F88 Outros transtornos do desenvolvimento psicológico
F88 Outros transtornos do desenvolvimento psicológico
Agnosia de desenvolvimentoF89 Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado
F89 Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado
Transtorno do desenvolvimento SOE